As nuvens do teto estão girandoSão crianças brotando das paredes
Como flores em cores reluzentes
No espelho da sala vão entrando.
Suas mãos entreabertas rasgam o vidro...
E seus olhos farejam outro mundo
Um portal transparente rompe o luto,
De escuro... Um silêncio poluído.
Sobre a voz vaga um timbre laminado...
E dos olhos os glóbulos de força
São cavalos de vento sobre a louça
Vibratando nas tábuas do assoalho.
Pelo eco dos móveis sorridentes
Ferve o cheiro das cores invisíveis,
As retinas das bocas previsíveis
São visões entre salas confluentes.
E as nuvens do teto são crianças
Pelo ventre do espelho retornando
Como flores de luzes rebocando
O tecido cobalto das infâncias.
